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O BCLME

O Grande Ecossistema Marinho da Corrente de Benguela ou BCLME é um dos quatro maiores sistemas de afloramento dos limites orientais dos oceanos Atlântico e Pacífico. Tal como as correntes das Canárias, Humbold e Califórnia, Benguela é particularmente produtiva em termos de recursos pesqueiros – sobretudo as espécies pelágicas pequenas – entretanto, abundam também os principais predadores tais como aves-marinhas e mamais marinhos. Depósitos substâncias de recursos naturais não vivos, tais como gás, diamantes e outros minerais, constituem o foco das actividades industriais da região.

  Abundância de vida

O Bioma de Benguela

O Bioma de Benguela é dominado por um ecossistema de afloramento costeiro, sendo um dos mundiais encontrados ao longo dos limites orientais das principais bacias oceânicas. Tais áreas de afloramento costeiro são mais provavelmente caracterizadas como as melhores, devido mais propriamente às suas unidades populacionais, ao invés da sua "vegetação", o que contrasta acentuadamente a situação em relação aos biomas terrestres. De facto, as plantas marinhas predominantes (fitoplâncton) e os principais herbívoros marinhos (copépodesplanctónicos) nesses sistemas, não são notados por serem demasiadamente finos. O mesmo não acontece com várias espécies (sobretudo, anchovas Engraulis encrasicolus e sardinha Sardinops sagax) que incidem em grande abundância na coluna de água que se sobrepõe à plataforma continental. Tais espécies tornam-se notáveis pelo facto de nadarem em conjunto a fim de formarem cardumes densos, que podem estender-se por vários quilómetros ao longo e nas proximidades da superfície do mar. A quantidade imensa de biomassa entre estas unidades populacionais, que apoiam as pescas comercialmente importantes, reflecte a grande produtividade do bioma de Benguela.

Esta produção em grande escala tem ocorrência pelo facto da superfície das águas ser continuamente fertilizada pelo afloramento de águas profundas e ricas em nutrientes. O afloramento tem lugar quando os ventos direccionados para o equador e offshore, são soprados pela superfície do mar, fazendo com que as águas da superfície se distanciem da costa, de modo a serem substituídas por águas de profundidade frescas e ricas em nutrientes.

A elevada produtividade pode ser contrastada com a relativamente baixa biodiversidade em todos os principais habitates marinhos. Tal baixa biodiversidade foi atribuída à natureza extremamente variável do ambiente marinho, oscilando em proporções temporais e espaciais, as quais favorecem mais aos generalistas do que aos especialistas. Nas fronteiras norte e sul de Benguela, onde águas aquecidas oceânicas do offshore e águas costeiras aquecidas das Correntes de Angola e Agulhas juntam-se respectivamente com as águas de Benguela, podem localizar-se piques em matéria de biodiversidade, mas entretanto, estes também são normalmente associados com a produtividade reduzida.

Até certo ponto, diga-se que um tanto pouco se sabe acerca do boita, embora haver diferenças entre as áreas ligadas às estruturas do fundo marinho e a natureza física e química do ambiente. Este ensaio realça algumas dos elementos vivos, característicos ao bioma de Benguela, e interliga-os aos atributos dos ambientes físicos e químicos.

Está frio por ai!

Numa perspectiva satélite a partir do espaço, a superfície das águas de Benguela são mais frias do que as que se encontram offshore, bem como as do norte de Angola e mais ao leste da costa Sul-africana. O aquecimento, a superfície e os limites offshore do sistema, são providos por uma frente oceânica, e ao norte e sul, o sistema é respectivamente limitado pelas águas aquecidas das Correntes de Angola e Agulhas.

As temperaturas frias na costa, são causadas pelo afloramento costeiro. A água fria advinda do afloramento ocorre em cadências de alguns dias , a partir da profundidade onde há luminosidade limitada, de forma que os nutrientes dissolvidos, essenciais para o crescimento de fitoplâncton e outras plantas tendem a incidir-se em concentrações relativamente grandes.

Quando uma cadência de águas ricas em nutrientes originárias do afloramento, têm acesso ao ambiente devidamente iluminado da superfície, as condições são ideais para o rápido crescimento e divisão das células fitoplâncton. Na região de Benguela, tais plantas de células singulares beneficiam-se de cerca de uma semana, na qual há apenas limitados herbívoros e as plantas proliferam-se de modo a formar tais algas densas de fitoplâncton. Muitas dessas plantas microscópicas são destinadas a jamais serem consumidas por herbívoros, mas contudo sobrepõem-se à superfície das águas, ou são transportadas em offshore, fazendo com os seus nutrientes retornem ao fundo das águas, como alimento para a camadas grossa de terras lamacentas que caracterizam o habitat béntico (de profundidade), sobretudo ao largo da Namíbia.

As plantas unicelulares consumidas na coluna de água, formam a base de uma curta cadeia de alimentos que é sobretudo eficiente na transferência de energia, desde os principais produtores até ao peixe, mormente, pelo facto da concentração de alimentos ser elevada e por serem devidamente agrupadas em grande células ou espécies que formam cadeias diatomáceas.

O rebentamento episódico de produtividade de fitoplâncton, e contudo frequente, faz de Benguela uma região de produção sustentável, durante todo o ano.

Demasiadamente bom

A medida que os níveis de nutrientes reduzem, na sequência do primeiro fluxo de crescimento diatomáceo, as comunidades vegetais movimentam-se para um nível dominado de dinoflagelados, em que tornam-se melhor equipadas a crescer em condições de nutrientes reduzidos, podendo mover-se em resposta às variações da estrutura das colunas de água.

Algumas vezes as populações dinoflageladas encontram combinações de ambientes favoráveis que as permitem crescer rapidamente, em termos de concorrência sobressaindo-se em relação à outras espécies.

Algumas dessas eflorescências algais, podem ser nocivas à vida marinha. São coloquialmente conhecidas como "marés vermelhas", tendo em conta que muitas dessas espécies dão ao mar, uma coloração castanha/avermelhada. O seu impacto mais alarmante na região de Benguela, é mediante a produção de toxinas, afectando desse modo a compatibilidade dos mariscos e causando impacto sobre as operações de aquacultura.

A "piscicultura marinha" deve ter cuidado em particular com esses eventos naturais, mas desastrosos, uma vez que, ostras, mexilhões e abolasse são notórios de adquirir graus variados de toxicidade durante tais eventos. Felizmente, nem todas as marés vermelhas são tóxicas.

Entretanto, estas podem causar impactos significativos sobre os ecossistemas marinhos, desequipando a superfície da água do oxigénio. A biomassa de dinoflagelados excepcionalmente elevada acaba por decompor-se para o fundo do mar, pelo que a actividade bacteriana aumentada durante a decomposição, consome todo o oxigénio disponível.

E pouco... atolado na lama

Oxigénio reduzido, é um aspecto natural que ocorre nas águas de profundidade do bioma de Benguela. As criaturas marinhas incapazes de se deslocarem para as águas com melhor oxigenação, acabam por morrer, sendo o melhor exemplo "as saídas"da lagosta ao largo da costa austral. No entanto, muitas espécies bénticas estão adaptadas a tolerar hipoxia por algum tempo. A título de exemplo, as espécies comerciais da pescada são notórias por viverem em águas profundas próximo ao fundo do mar, onde a concentração do oxigénio pode ser muito baixa.

As águas de profundidade têm baixa oxigenação nalgumas áreas da região de Benguela, devido a existência de camadas profundas de terra lamacenta que se reabastecem-se continuamente, visto que plantas e animais mortos afundam-se a partir da superfície. Tal como as decomposições bacterianas despojam as águas da superfície do seu oxigénio durante as marés vermelhas, assim as actividades bacterianas removem grande parte do oxigénio dessas águas de profundidade. Tais áreas lamacentas albergam poucos dos grandes animais marinhos, mas contudo são ricas em nutrientes, sobretudo enxofre. O metano e o ácido sulfídrico podem ser produzidos nesses sedimentos anóxicos, e cobrir metros de profundidade. O gás vindo do ácido sulfídrico movimenta-se dos sedimentos à coluna de água, retido em bolhas de metano, expandindo-se na medida que se elevam para a superfície do mar.

Este estafilinídeo borbulhento também remove o oxigénio dissolvido das colunas de água e os animais marinhos tendem a movimentar-se em massa, para longe de tais áreas de erupção. A mortalidade de peixes e focas em massa tem sido associada à estes eventos. Especula-se que as erupções de enxofre podem futuramente aumentar em frequência e dimensão, algo que se relaciona com as alterações climáticas na região.

A vida às margens

Embora grande parte da produção primária do bioma de Benguela ocorre por intermédio de fotosínteses de plânctons microscópicos, encontramos ao longo das margens costeiras, o equivalente das florestas marinhas, onde plantaalgais enormes denominadas kelps (em inglês), crescem anexadas à substratos rochosos, dando estrutura à um ecossistema peculiar.

As kelps encontram-se entre os organismos que mais rápido crescem no mundo, com frondes capazes de atingir 13 mm por dia. Este ritmo de crescimento fenomenal só é possível, dada a elevada concentração de nutrientes nas águas costeiras caracterizadas por afloramento. Os fundos das kelpse as áreas que as circundam, albergam uma variedade de herbívoros, muitos dos quais estão unicamente adaptados à esse meio ambiente especial.

Dá-se conta que as lapas na costa ocidental da África Austral, bloqueiam activamente as frendes das kelsps por baixo das suas conchas, possibilitando que as mesmas se encostem suavemente sobre estas enormes plantas, que normalmente quer se apresentariam completamente fora do alcance, quer seriam difíceis de se alcançar, em função da zona turbulenta entre os níveis de marés altas e baixas. A disponibilidade de frondes de kelps, representa um enorme subsídio alimentar para esse interditado ambiente e, possibilita as lapas de atingirem densidades médias de 200 lapas por m2, ou superiores a 10 kg por m2 , na costa ocidental da África Austral.

As comunidades de plantas e animais marinhos ao longo das margens do Oceano Atlântico, no bioma de Benguela, possuem relativamente poucas espécies (em comparação à outros ambientes marinhos subtropicais e temperados), todavia essas espécies podem ocorrer com grande abundância. Em termos gerais, as populações permanentes de organismos vivos da região de Benguela, decrescem de norte a sul, mas no entanto a diversidade das espécies acresce. As maiores diversidade ocorrem ao largo sul da costa da África do Sul, 'as margens das Agulhas.

Nessa área, as vastas margens pouco profundas proporcionam um habitat extensivo, em contraste a plataforma de profundidade encontrada ao largo da Namíbia e algumas partes da África o Sul. O ambiente marinho no sul é ainda mais estável do que a costa ocidental, em particular na Namíbia, onde o afloramento é extensivo durante todo o ano. Uma das principais espécies de importância comercial encontrada no habitat costeiro, mais precisamente um pouco abaixo da marca da maré baixa é a lagosta do cabo (Jasuslalandii), um fruto do mar especial da região.

Existe ainda uma multidão de peixes ósseos e cartilaginosos, tais como tubarões pequenos e raias, que ocorre nas proximidades da costa, sendo muitos dos quais alvos dos pescadores à linha. De facto, é a interacção com estes peixes costeiros (tais como mexilhões, polvos e abolane) que possivelmente melhor caracteriza a experiência marinha pelos habitantes humanos e visitantes na região de Benguela.

Animação suspensa

Na coluna de água, desde fundo marinho até a superfície do mar, as plantas e animais vivem em suspensão. Alguns dos mais pequenos destes são as larvas does animais que eventualmente aconchegam-se no fundo do mar.

Todavia, a grande maioria passam a sua vida inteira na coluna de água. No mundo microscópico de fitoplânctons, há um grande número de espécies com uma diversidade incrível de formatos, tamanhos e tipos corpóreos. A "sopa de vegetais" dá sustento ao zooplâncton, que na sua maioria consiste em pequenos animais crustáceos, que da água filtram células de plantas, utilizando os seus membros como redes. Esses animais minúsculos são caçados e comidos por outros pequenos invertebrados e por peixes, ligando assim o mundo microscópico, no qual os ciclos de vida podem completar-se em poucas gotas de águas e plantas e, onde os animais se encontram ao capricho das correntes oceânicas, - ao mundo microscópico de animais altamente móveis. Na interface entre os mesmos, existem as medusas coloniais, muitas vezes em grande abundância, sobretudo ao largo da costa Namibiana, onde as mesmas entopem as redes e podem interferir com as actividades de pesca. As medusas também se alimentam de lavras de peixe e têm o potencial de impedir a recuperação de populações de peixe.

A cada fase de uma rede alimenta, apenas uma pequena porção da energia passa para os mais elevados níveis tróficos e o resto acaba por se perder através da respiração e fezes. Uma das principais razões pela qual Benguela é tão produtiva em termos de peixes pelágicos, reside no facto de que a rede alimentar entre os principais produtores (diatomáceas) e peixes passam por apenas um nível de zooplâncton (normalmente copépodes) e algumas diatomáceas grandes em forma de rede, podem até mesmo ser directamente consumidos por peixes filtra-alimentos, tais como a sardinha.

Um clarão de prata e ouro

As espécies mais abundantes na região de Benguela são os pequenos cardumes de peixe que podem ser encontrados em grande abundância nas aguas superficiais que cobrem a plataforma continental.

Historicamente, a sardinha e anchovas tem sido as mais importantes dessas espécies pelágicas. Todavia o Etrumeuswhiteheadi também é abundante na África do Sul, e na última década, o góbio pelágico (Sufflogobius bibarbatus) tem vindo a tornar-se importante ao largo da Namíbia, na qual o sistema de pelágicos tem passado por grandes mudanças. A Sardinela é importante na região norte de Benguela, mas entretanto, estes não alcançam números elevados em relação à outras espécies encontradas, tais como peixes ósseos.

Os pequenos cardumes são o centro do ecossistema offshore de Benguela. Conhecidos com "peixes forasteiros", estes constituem principal alimento para uma série de predadores, incluindo peixes, lulas, aves-marinhas, focas e baleias. Quando há declínio no número de peixes pelágicos, os predadores sofrem, no entanto, a abundância destes faz com que os predadores prosperem. Acredita-se que durante tais épocas de abastança, os peixes pelágicos exercem uma outra influência importante para o Ecossistema. - estes deprimem as unidades populacionais permanentes dos seus alimentos, principalmente em relação ao zooplâncton microscópicos. Com um papel duplo de suprimir o crescimento dos seus próprios alimentos, ao mesmo tempo aumentando o crescimento dos seus predadores, os pequenos peixes pelágicos na região de Benguela, são considerados como "cinturas-de-vespas" do ecossistema. O termo é derivado do facto de um pequeno número de espécies ocupar uma posição central no sistema de Benguela, com muitas outras espécies, quer abaixo quer acima delas em termos de canal para o fluxo de energia a partir dos principais produtores. Por conseguinte as grandes variações entre anos e décadas relativamente à unidades populacionais permanentes dos pequenos cardumes de peixes, pode exercer uma forte influência sobre todas as componentes da rede alimentar.

A grande abundância de sardinhas e anchovas na região de Benguela, tornou-se igualmente atractiva em termos comerciais, para uma indústria de pesca pelágica substancial, que se veio a ser uma fonte de renda importante na Namíbia e África do Sul. Todavia, o potencial de geração de riquezas económicas a curto prazo, através da remoção de peixes pelágicos do mar, é algo que ser equilibrado com os seus importantes papéis ecológicos, e.g. servindo de alimento para as outras espécies. A concretização de tal equilíbrio é foco importante das actuaisactividades de investigação na corrente de Benguela.

Além das anchovas e a sardinha, o carapau é o terceiro peixe mais importante no bioma de Benguela. Duas espécies de carapau são encontradas ao largo da África Austral, sendo o carapau do Cabo (Trachurus trachurus capensis) o mais encontrado ao longo de toda a região de Benguela e o carapau do Cunene (T. t. Trecae) com incidência apenas no norte, ao largo da costa Angolana. O carapau juvenil é na sua maioria encontrado nas camadas da superfície, alimentando-se de presas de zooplâncton, tal como fazem as anchovas e sardinhas e, muitas vezes juntando-se em cardumes com estes pequenos peixes pelágicos. Carapaus grandes tendem alimentar-se nas águas intermédias e a sua dieta inclui poliquetas (vermes marinhos), crustáceos de profundidade e planctónicos e outras espécies tais como peixe-lanterna e góbios. Os carapaus largos são normalmente capturados por arrastões em águas intermédias.

Os peixes pelágicos de rápida natação, contam fortemente com os pequenos peixes pelágicos para a sua alimentação. Dos mais conhecidos exemplos destacam-se a barracuda (snoek do cabo ou Thyrsites atun), o carapau espanhol (Scomber japonicus) e várias outras espécies de atum, apesar do último ser um peixe altamente migratório, passando apenas parte do seu tempo na região de Benguela, na sua maioria patrulhando as suas margens exteriores. Os Thyrsites atun são alvos importantes da pesca à linha ao longo da costa ocidental da África do Sul e é capturado em arrastões de profundidade. São predadores oportunistas e para tal, a sua disponibilidade aos pescadores é influenciada pela distribuição da sua presa, que é procurada por embarcações pesqueiras locais e estrangeiras, contudo dada a sua força e habilidades de natação - apreciada por entusiastas da pesca desportiva.

Os habitantes de águas de profundidade

Em águas de profundidade encontra-se um importante predador de peixes pelágicos pequenos. Trata-se da pescada, o bem conhecido peixe comestível.

São encontradas duas espécies de pescada ao largo da costa Sudeste Africana. Não são facilmente distinguíveis com base na sua aparência; todavia levam o nome de acordo com o nível de profundidade de que tendem a habitar: Merluccius paradoxos (pescada de águas profundas) e Merluccius capensis (pescada de águas baixais).

Apesar da pescada ser na sua maioria considerada como peixe de profundidade (bentinho), esta passa uma parte substancial do seu tempo em águas junto à superfície, ascendendo do fundo do mar ao anoitecer para se alimentar de noite. Pescadas juvenis são pelágicos em termos de estilo de vida, alimentando-se de crustáceos planctónicos, precisamente como pequenos peixes pelágicos, e desse modo competindo com os mesmos na procura por presas. Algo tal-qualmente interessante acerca da pescada, é que comem a si próprios.

As pescadas grandes de águas baixais, encontram-se nas mesmas áreas em que as pequenas de profundidade circulam, tendo-as como presas. Todavia a presa de pescada-à-pescada não se limita à dupla interacção dessas espécies. Há também um certo canibalismo entre as espécies singulares - a pescada larga de determinada espécie comendo a pequena pescada da mesma espécie. A pescada é um predador oportunista que adapta a sua dieta, sazonal e espacialmente conforme a disponibilidade do peixe que lhe serve de presa. Desde a Segunda Guerra Mundial, a pescada tem vindo a sustentar uma industria valiosa da pesca. São capturadas próximo ao fundo do mar durante o dia, através de arrastões de profundidade.

Na região de Benguela, talvez a maioria das espécies de profundidade, no verdadeiro sentido da palavra, são as solhas. Duas espécies incidem na região: a solha da costa ocidental (Austroglossus microlepis) e a das Agulhas (Austroglossus pectorali). As solhas enterram-se na areia do fundo do mar, passando a maior parte do seu tempo, simplesmente quietas.

Um aspecto interessante da história é que a medida que amadurecerem, os seus olhos amadurecem, de modo que ambos se posicionem à direita das suas cabeças, algo que facilita as suas manhas de camuflagem. As solhas alimentam-se de poliquetas (tipo de vermes marinhos), crustáceos bentinhos, e pequenos moluscos e elas próprias são delícias para as espécies tais como a pescada, tubarões e até mesmo focas.

Procurando por alimentos

O bioma de Benguela é reconhecido pela sua diversidade e abundância de aves e mamais marinhos, e serve bem de tudo o que um restaurante especializado em frutos do mar, tem para oferecer. Pelas mesmas razões, esses grupos são fortemente influenciados pela intervenção do homem no mar ou na terra. No passado o lobo-marinho do Cabo (Arctocephalus pusillus pusillus) atravessou um período de decréscimo de unidades populacionais devido à captura de focas, desde o início da década de 80 à década de 90. Tais capturas ainda decorrem na Namíbia. Focas juvenis com idades compreendidas entre 7-10 meses foram valorizadas pela sua pele e, muito recentemente os elefantes-marinhos passaram ser capturados para servirem de fonte de afrodisíacos no mercado asiático. A caça de focas cessou na África do Sul em 1990.

Os pescadores commumente consideram as focas como uma ameaça, contudo os estudos científicos demonstraram que a competição entre as actividades de pesca de focas e de pescada é em termos gerais inferior. Nos últimos anos os elefantes-marinhos solitários, incapazes de garantir os seus próprios haréns de fêmeas, foram responsáveis pela morte de um número insubstancial de pinguins-africanos (Spheniscus demersus), Gansos-patola do Cabo (Morus capensis) e corvos-marinhos do Cabo (Phalacrocorax capensis) a volta das ilhas de reprodução, ao largo da África do Sul e Namíbia. Isto conduziu às medidas de controlo que estão a ser implementadas, por forma a tratar dos problemas individuais relacionados com focas e colocou a questão quais espécies marinhas devem merecer prioridade, em termos de gestão de recursos marinhos.

Quinze espécies de aves-marinhas reproduzem-se na ilhas ou em locais de terra firme ao largo do sudoeste africano. O Pinguim-africano, ganso-patola do Cabo, quatro espécies de corvos-marinhos, três espécies de gaivotas, cinco espécies de andorinhas-do-mar e o pelicano branco. Dada o acentuado decréscimo das suas populações, o pinguim-africano e o ganso-patola foram classificados como espécies vulneráveis no ponto de vista da conservação, de acordo com os critérios da União Mundial para a Conservação da Natureza (IUCN). As aves marinhas apoiam as importantes indústrias do esoterismo ao longo da costa ocidental da África do Sul, fazendo com que os esforços de gestão se tornem mais urgentes. Dado o facto de as aves e mamais marinhos estarem confinados às redondezas das localidades terrestres para efeitos de reprodução, estes são em particular influenciados pela disponibilidade de peixes predadores nos limites das esferas em que forrageiam, durante a época de reprodução.

Um caso de realce, é o pinguim-africano, que já se repartiu em números, reproduzindo-se ao largo da África do Sul em apenas três anos (2002-2005), devendo a explicação atribuir-se em parte à mudança da sardinha em direcção ao sul e ao leste, na qualidade de presa nutritiva para os pinguins.

Uma grande variedade (37 espécies) de baleias e golfinhos, colectivamente denominados de cetáceos, frequentam as águas da África Austral (sobretudo na aquecida costa oriental). Os cetáceos consistem em dois grupos: baleias s golfinhos dentados, que procuram por presas relativamente grandes (mais propriamente peixe e lulas) e baleias de barbas, as quais fazem uso de lâminas ou franjas de baleias ao vez de dentes para filtrar os alimentos planktônicos da água. A baleia franca do sul (Eubalaena australis), baleia-de-bryde (Balaenoptera edens) baleia-jubarte/preta (Megaptera nova-eangliae) são as baleias de barbas que no passado foram afectadas pela caça de baleias. Os golfinhos dentados mais comuns citados no bioma de Benguela incluem o golfinho do tipo Cephalorhyncus heavisidii, golfinho-comum-do-bico-curto (Delphinus delphis), golfinho-do-crepúsculo (Lagenorhyncuhus obscurus) bem como o golfinho Tursiopstruncates.

Mudança

A observação mediante "óculos" de detecção de pigmentos orgânicos a partir de satélites, apresenta o bioma de Benguela rico de vida biológica. Se assistir os mares da África austral durante o período de um ano por completo, há-de observar a natureza tumultuosa e palpitante do meio ambiente. Formam-se aspectos oceânicos e dissipam-se, os limites movem-se de trás para frente e as temperaturas da superfície do mar aumentam e diminuem. A medida que o ambiente físico altera, assim também os organismos vivos que nele habitam. No fundo da superfície do mar, o baixo oxigénio, em tudo inóspito, todavia o mais árduo de todos os organismos vivos, é caracterizado do fluxo e refluxo comovendo-se ao longo da costa.

Os animais distanciam-se de tais condições inóspitas, ao passo que outros agregam-se para se alimentar ou reproduzirem-se , ou evitar de ser tornarem alvos predatórios. Outros ao mesmo tempo, percorrem longas distâncias, entrando e saindo da região de Benguela como um breve segmento de uma viagem mais longa. Os distintos ambientes que ocorrem no bioma de Benguela não operam isoladamente. Estes são fluídos nas suas localizações e nos seus habitantes.

O biota varia ao longo do tempo em termos de abundância e composição, enquanto que alguns grupos são móveis, deslocando-se entre meio ambientes, que horizontal quer verticalmente. Mudança contínua é uma característica do ambiente físico da região de Benguela, pelo que os seus habitantes marinhos adaptam-se às mudanças.

Caso serão capazes de lidar com futuras mudanças e de que forma, constitui uma questão a merecer resposta, quando houver maior compreensão a respeito da natureza de tal mudanças e da dinâmica do bioma.

 

Texto elaborado por ColleenMoloney e LynneShannon - extraído do livro Benguela CurrentofPlenty"Benguela, Corrente de Abundância" (publicado pelo Programa BCLME em 2008. )